ALICE IN BORDERLAND E OS JOGOS PARA SOBREVIVER

ALICE IN BORDERLAND E OS JOGOS PARA SOBREVIVER

Se você está procurando uma série nova para assistir e gosta de um bom suspense e ação, então Alice in Borderland é para você. O seriado da Netflix de 2020 é baseado em um mangá de mesmo nome, escrito e ilustrado por Haro Aso, ainda inédito no Brasil. A direção é de Shinsuke Sato, que já trabalhou em diversas adaptações de mangás e animes para live-action, como Bleach, Inuyashiki e Gantz. São só oito episódios, então é ótima para maratonar. Ela já foi renovada para uma segunda temporada.

Ryohei Arisu é um jovem que, apesar de ser muito inteligente, não consegue arranjar um emprego. Em vez disso, passa a maior parte do seu tempo jogando videogame, então acaba sofrendo com a pressão da família. Querendo fugir disso, ele sai de casa e se encontra com seus melhores amigos, Daikichi Karube e Chota Segawa. Após uma confusão no cruzamento de Shibuya, em Tóquio, a maior parte dos moradores da cidade desaparece de repente. Os três então se veem obrigados a participar de jogos letais para sobreviverem, enquanto tentam descobrir mais sobre o que aconteceu.

Como o próprio nome sugere, a série tem várias referências à obra Alice no País das Maravilhas. O termo Borderland, do título, refere-se a Wonderland. Até mesmo os nomes dos personagens são easter eggs: o sobrenome do protagonista, Arisu, é a pronúncia japonesa para Alice. Usagi significa coelho. Temos também os equivalentes ao Chapeleiro Maluco (Mad Hatter), ao Gato Risonho (Cheshire Cat)… A própria trama possui várias pistas que têm a ver com o livro de Lewis Carroll. Enquanto assiste, o espectador fica com vontade de procurar essas ligações e descobrir como elas se encaixam na narrativa. Mesmo assim, não é totalmente necessário perceber tudo isso para entender e gostar do seriado.

Outras referências que a série usa são as cartas de baralho. Elas determinam o tipo de jogo e também a dificuldade dele. O naipe de paus representa o trabalho em equipe; espadas, força física; ouros, inteligência; e copas, emoção. Quanto maior o número da carta, mais difícil é de conseguir ganhar. Essa numeração também tem a ver com os vistos: após vencerem um jogo, os personagens conquistam dias de vida que eles podem passar ali sem precisarem jogar. Por exemplo, se eles ganharem um de nível três, podem ficar três dias. Porém, ao final desse tempo, precisam jogar novamente para terem uma chance de viverem, se não… morrem na hora.

Fonte: Divulgação/Netflix.

É aí que entra uma das maiores discussões de Alice in Borderland: até onde vai a vontade de sobreviver? Prefere correr perigo para ter uma chance, ou desistir sem tentar? Os personagens passam a refletir sobre a finalidade da vida e como ela é curta. O que você, espectador, faria se estivesse no lugar deles? Apesar da variação de dificuldade, todos os jogos são mortais. Muitas vezes isso pode fazer com que as pessoas façam coisas que normalmente não fariam. Algo bem interessante da série é que, mesmo que os jogos sejam de diferentes tipos, ela nos mostra que todos eles precisam de estratégia. Por esses motivos, o seriado lembra bastante Battle Royale, icônico filme japonês de 2000 que originou o gênero de mesmo nome e influenciou diversos longas-metragens, videogames e livros.

A trama de Alice in Borderland é viciante, porque faz com que o espectador não consiga parar de assistir para descobrir o que acontece. É surpreendente e cheia de reviravoltas, especialmente por causa dos jogos: a série mostra como eles funcionam, só para depois você perceber que não eram exatamente daquele jeito. O seriado também não tem medo de ser violento e de mostrar que qualquer um pode morrer. Porém, essa violência não é totalmente gratuita, e sim relacionada à emoção. Então, você acaba se apegando aos personagens e torcendo por eles, mesmo sabendo que eles podem ter um destino trágico. A obra faz um ótimo trabalho em usar o que funciona em animes e mangás e o que funciona para live-action, juntando os dois com um bom equilíbrio.

Fonte: Divulgação/Netflix.

Os personagens também são um ponto alto da história, porque eles são muito carismáticos e interessantes. Eles não são totalmente do bem ou do mal, então são bem relacionáveis e intrigantes: fazem com que quem está assistindo queira saber mais sobre eles. Além disso, eles não têm poderes especiais e passam pelos jogos usando suas habilidades. O espectador vai descobrindo o que está acontecendo ao mesmo tempo que as pessoas em Borderland, então se sente participando com eles e tentando descobrir os mistérios junto. Destaque também vai para o protagonista: é possível se identificar bastante com Arisu, que não consegue atender às expectativas da sociedade e é sempre subestimado por todos ao redor. Ele usa seu talento nos videogames, que antes era considerado inútil, para passar pelos jogos.

A atuação do elenco também merece muito destaque, por ser muito dramática e potencializar a emoção da série. Quem interpreta o protagonista Arisu é Kento Yamazaki, que participou de outras adaptações de mangá para live-action, como Death Note (a versão japonesa de 2015, não a americana de 2017), Wotakoi e Your Lie In April. Ele também já trabalhou anteriormente com o diretor Shinsuke Sato. Tao Tsuchiya, que faz o papel de Yuzuha Usagi, contracenou com Yamazaki no filme de Orange. Além deles, temos também Keita Machida, do dorama Cherry Magic, como Karube; Nijiro Murakami, da adaptação de AnoHana, como Shuntaro Chishiya; e Dori Sakurada, do seriado Good Morning Call, como Suguru Niragi.

Chota, Arisu e Karube. Fonte: Divulgação/Netflix.
Usagi. Fonte: Divulgação/Netflix.

Precisamos destacar também a parte técnica de Alice In Borderland. A trilha sonora foi composta por Yutaka Yamada, que trabalha muito com o diretor Shinsuke Sato e também compôs para os animes Great Pretender, Tokyo Ghoul e Vinland Saga. A música da série é marcante, lembrada até mesmo depois de assistir, e ajuda a construir muito bem o clima. O álbum oficial está disponível para ouvir no Spotify. Isso, aliado à cinematografia, deixou a série ainda melhor. As cenas são muito bem filmadas e em alguns momentos da edição temos representações visuais que ajudam a mostrar o que os personagens estão pensando. Um exemplo disso é no primeiro jogo, em que vemos os números na tela enquanto o protagonista pensa em uma solução.

Alice in Borderland é uma ótima série para conhecer produções de outros países, diferentes do que se está acostumado, algo em que a Netflix tem investido muito. O seriado consegue responder várias perguntas e ainda deixar abertura para continuação, então dá ainda mais vontade de ver o que vai acontecer na segunda temporada. Se gostar, pode conhecer outras obras japonesas disponíveis na plataforma de streaming, como por exemplo Erased, também adaptada de mangá. Caso se interesse pela temática de Alice no País das Maravilhas e as referências, também há várias histórias inspiradas no trabalho de Lewis Carroll, como é o caso de Pandora Hearts.

Confira abaixo o trailer legendado de Alice in Borderland:

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Ficha técnica

  • Título original: Imawa no Kuni no Arisu
  • Idioma original: Japonês
  • Ano: 2020
  • Temporadas até o momento: 1
  • Episódios até o momento: 8
  • Duração: de 40 a 50 minutos por episódio
  • Onde assistir: Netflix
  • Classificação etária: Maiores de 18 anos
  • Baseado em: Mangá de mesmo nome, de Haro Aso

Você já assistiu Alice in Borderland? Ficou com vontade de assistir? Deixe seu comentário abaixo! Caso conheça a história, comente sua opinião, o que mais gostou no seriado e seus personagens favoritos (mas sinalize os spoilers para quem ainda não assistiu). Você pode conferir mais posts sobre filmes e séries aqui no site da Korall Design, além de animes e mangás e outras recomendações da Netflix. Siga o nosso perfil no Instagram para ficar sabendo das novidades!

Este post tem 2 comentários

  1. Já assisti e recomendo. Como aborda bem o post, a série é muito bem produzida e instigante. Dá vontade de assistir de uma única vez. Quase sempre estamos envolvidos na trama, torcendo e tentando achar alternativas que facilite a “vida” dos participantes, quase sempre frustradas e tendo que conviver com elas. Essa série escancara sem dó e nem piedade, nosso instinto de sobrevivência. Valeu Korall.

  2. Muito provocativa esta publicação. Embora eu seja avessa a este estilo de filmes com violência e muita morte, gostei de saber mais sobre esta série. Achei bem interessante esta ideia do roteiro remeter a Alice no país das maravilhas, que por si só, uma obra muito rica e possibilita muitas interpretações. E ainda a obra japonesa que lembra os jogos vorazes. Além do jogo eletrônico e o jogo de cartas. O pessoal aqui de casa adorou a série e, apesar de não ter assistido sei bastante da história, mas não conhecia estes detalhes técnicos. Obrigada Korall Design ❤️

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